quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Palmeiras, São Paulo e STJD

A quarta-feira, dia 18 de novembro, foi polêmica. Vamos numa ordem cronológica: Dagoberto, Borges e Jean foram julgados pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva pelas expulsões ocorridas no jogo entre São Paulo e Grêmio e cada um deles pegou TRÊS jogos de suspensão.

Ok, não apoiamos a violência no futebol, mas acho que o STDJ está sendo um pouco inconveniente e “sem noção” querendo julgar todo e qualquer cartão vermelho. A jogada do Jean, principalmente, não foi com uma violência premeditada, tanto que só veio o vermelho por ter recebido dois amarelos. Pena máxima pra isso eu achei um exagero.

Borges e Dagoberto até mereciam um gancho, ou não, é uma questão de percepção. Eles cometeram faltas mais violentas, porém, apesar de não ser bem-vinda, isso também faz parte de futebol e querer tirar de campo todo e qualquer jogador que venha a receber um cartão vermelho é radical ao extremo.

Essas atitudes não vão evitar que os atletas cometam faltas. É óbvio que não. Deve existir um bom senso do que é ou não uma agressão antidesportiva. Julguem sim os casos de violência e não faltas que acontecem em qualquer partida de futebol.

E vocês, o que pensam? Eu acho que o STJD quer aparecer mais que o futebol.

E o Palmeiras, gente. O que acontece com esse clube? Já vinham de uma queda livre em resultados e ontem a coisa explodiu de verdade. Obina (que não é nem capitão) reclamou com o zagueiro Maurício após o primeiro gol gremista e os dois acabaram saindo “na mão”. Parecia até aquelas peladas entre amigos que bebem demais e se estranham, porém, eles são atletas profissionais e estavam disputando o Campeonato Brasileiro, e não uma pelada.

Não concordo com a atitude deles e nem com a do André e Hugo, que também trocaram tapas recentemente, porém, achei um exagero da diretoria palmeirense ter demitido os atletas. As coisas no Palmeiras não vão bem há um tempo e se for pra descontar dessa forma, que expulse grande parte do elenco, pois todo mundo tem culpa na queda livre alviverde. Maurício e Obina tiveram a infelicidade de tomar cometer essa terrível “burrice” em um momento tenso e acabou sobrando pra eles. Com certeza um fato que vai manchar a carreira de ambos.

Acho que vocês sabem o time que eu torço, e adianto que não é o Palmeiras, mas é triste ver isso acontecendo com uma equipe forte, com uma torcida tão bonita. Sinceramente, os torcedores do Palmeiras não merecem ver jogadores sendo expulsos; um dos ídolos atuais, o Pierre, chorando; Danilo descendo a lenha nos ex-companheiros... isso é coisa de timinho e não de um clube de tradição como é o alviverde.

A torcida do Palmeiras já vinha sofrendo a decepção de ter perdido a liderança de quase 20 rodadas e correr o risco de nem terminar entre os quatro primeiros... agora é obrigada a passar por mais essa. Mas como torcedor de verdade é na alegria e na tristeza, que essa situação fortaleça ainda mais a relação de vocês. Torcer nem sempre é só alegria, se vier a Libertadores, lucro, porque o título, acho que todos concordamos que fica para uma próxima oportunidade...

-> Imagem: Uol Esportes

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Regras de futebol de rua, por Luis Fernando Veríssimo

Essas regras ilustraram um ensaio fotográfico que eu e duas amigas jornalistas (Dani e Pam) fizemos para o nosso TCC. Acredito que o regulamento de futebol de rua descrito pelo excelente Luis Fernando Veríssimo vai despertar nostalgia e arrancar umas risadinhas de vocês.

REGRAS DE FUTEBOL DE RUA

1. A BOLA

A bola pode ser qualquer coisa remotamente esférica. Até uma bola de futebol serve. No desespero, usa-se qualquer coisa que role, como uma pedra, uma lata vazia ou a merendeira do irmão menor.

2. O GOL
O gol pode ser feito com o que estiver à mão: tijolos, paralelepípedos, camisas emboladas, chinelos, os livros da escola e até o seu irmão menor.

3. O CAMPO
O campo pode ser só até o fio da calçada, calçada e rua, rua e a calçada do outro lado e, nos clássicos, o quarteirão inteiro.

4. DURAÇÃO DO JOGO
O jogo normalmente vira 5 e termina 10, pode durar até a mãe do dono da bola chamar ou escurecer. Nos jogos noturnos, até alguém da vizinhança ameaçar chamar a polícia.

5. FORMAÇÃO DOS TIMES
Varia de 3 a 70 jogadores de cada lado. Ruim vai para o gol. Perneta joga na ponta, esquerda ou a direita, dependendo da perna que faltar. De óculos é meia-armador, para evitar os choques. Gordo é beque.

6. O JUIZ
Não tem juiz.

7. AS INTERRUPÇÕES
No futebol de rua, a partida só pode ser paralisada em 3 eventualidades:
a) Se a bola entrar por uma janela. Neste caso os jogadores devem esperar 10 minutos pela devolução voluntária da bola. Se isso não ocorrer, os jogadores devem designar voluntários para bater na porta da casa e solicitar a devolução, primeiro com bons modos e depois com ameaças de depredação.
b) Quando passar na rua qualquer garota gostosa.
c) Quando passarem veículos pesados. De ônibus para cima. Bicicletas e Fusquinhas podem ser chutados junto com a bola e, se entrar, é gol.

8. AS SUBSTITUIÇÕES
São permitidas substituições no caso de um jogador ser carregado para casa pela orelha para fazer lição ou em caso de atropelamento.

9. AS PENALIDADES
A única falta prevista nas regras do futebol de rua é atirar o adversário dentro do bueiro.

10. A JUSTIÇA ESPORTIVA
Os casos de litígio serão resolvidos na porrada.

-> Imagem: Kyrasato

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

O dia em que o Palmeiras foi a Seleção Brasileira...

Escrevi o texto abaixo para o blog do MTDF, que é onde trabalho. A sugestão foi do palmeirense que trabalha na parte administrativa da empresa, o Victor Ortega. Confesso que não sabia do fato e foi muito legal conhecer o episódio, apesar de ter sido com o time do Palmeiras, e não o meu. Hehehe, brincadeira (com um fundo de verdade, rs).

Para celebrar a inauguração do estádio Governador Magalhães Pinto, o mais famoso de Belo Horizonte, também conhecido como Mineirão, foi organizado um amistoso entre Brasil e Uruguai. Contudo, além de ser um dos clássicos do futebol mundial, a partida ficou marcada porque toda a delegação brasileira foi composta por palmeirenses.

Isso mesmo, dos atletas ao massagista, todos os profissionais eram da Sociedade Esportiva Palmeiras. A idéia de uma “seleção verde e branca” partiu da Confederação Brasileira de Desportos, que convidou o clube para representar o Brasil em campo, um fato inédito até então no futebol.

Apesar de Botafogo e Santos espetaculares, a equipe palmeirense foi eleita para representar o que existia de melhor no futebol nacional. Com o elenco à altura, no dia 7 de setembro, o Brasil (ou Palmeiras, como preferir) entrou em campo com o goleiro Valdir Joaquim de Moraes, Djalma Santos, Djalma Dias, Valdemar, Ferrari, Dudu, Ademir da Guia, Julinho, Rinaldo, Tupãzinho e Servílio. A equipe foi dirigida por Filipo Nuñes, argentino de nascimento, mas paulistano por escolha, o único estrangeiro que comandou a Seleção Brasileira.

Com a bola rolando os brasileiros se mostraram melhores logo de cara: Servílio quase abriu o placar aos dois minutos, Rinaldo também ficou no quase aos seis, os atacantes Tupãzinho e Servílio fizeram uma linda jogada aos dez minutos, mas somente aos 27 que saiu o primeiro gol do jogo com Rinaldo, de pênalti.

Ainda na primeira etapa Tupãzinho marcou o segundo e, se a arbitragem tivesse marcado as faltas dentro da área em Ademir da Guia e Rinaldo, o placar poderia ter sido ainda mais vantajoso.

Na volta do intervalo a equipe palmeirense/brasileira veio com cinco substituições: Picasso no lugar de Valdir, Procópio no de Valdemar, Zequinha no de Dudu, Germano no de Julinho e Ademar Pantera no de Tupãzinho. Os brasileiros continuaram tão fortes como nos 45 minutos iniciais e aos 29 da etapa final Germano fechou a contagem com 3 a 0 para a alegria dos 80 mil presentes no primeiro espetáculo no palco do Mineirão.

A taça que estava em disputa naquela partida permaneceu 28 anos na sede da CBD, contudo, mais tarde, foi decido que o troféu deveria ficar com o Palmeiras. A lembrança física daquele jogo histórico está até hoje na Sala de Troféus do clube para quem quiser ver o resultado do dia em que o Palmeiras virou a Seleção Brasileira.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Lance curioso em Santa Catarina

O lance bizarro que vocês conferem no vídeo a seguir aconteceu no Campeonato Catarinense de Futebol Júnior recentemente, partida em que o Criciúma perdeu pro Avaí por 1 a 0. Assistam o lance e reparem na reação da torcida!

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Dener

Dener Augusto de Souza foi um meia-atacante que encantou muita gente em sua curta carreira. Para ele o drible era mais bonito do que o próprio gol, e a partir dessa declaração já se tem uma idéia do seu estilo de jogar: um futebol moleque, habilidoso, criativo e alegre. Contudo, ele não usava os dribles como meras firulas para embelezar os lances, Dener conseguia aliar beleza e objetividade.

O paulista nasceu em 2 de abril de 1971 e aos 11 anos já atuava pelo time mirim da Portuguesa. Aos 15 foi obrigado a dar um tempo no esporte e trabalhar para ajudar na parte financeira da família. Em certo período chegou a estudar de manhã, trabalhar a tarde e jogar bola na parte da noite por cachê. Em 88 voltou a vestir a camisa rubro-verde após uma tentativa frustrada de entrar para o São Paulo, clube do qual era torcedor desde pequeno, segundo sua esposa.

Dener passou a se destacar devido à excelente participação na Copa São Paulo de Juniores do ano de 1991, quando o clube paulista venceu a competição e ele foi eleito o melhor atleta do torneio. A partir daí começou a se mostrar um autêntico craque ao melhor estilo brasileiro. O meia-atacante foi um dos maiores jogadores que já passaram pelo Canindé, atuou durante dois anos no elenco principal. Ainda no ano de 91 o jogador foi convocado pela primeira vez para integrar a Seleção Brasileira, quando tinha apenas 20 anos.

Meu pai, torcedor da Lusa, é uma pessoa que não se encanta com pouco ou com qualquer jogador, mas quando viajou para Porto Alegre fez questão de ir ao Olímpico só pra ver o Dener jogar novamente (dessa vez pelo Tricolor Gaúcho, onde ficou somente seis meses antes de seguir pro Vasco).

Suas principais marcas foram os dribles rápidos e jogadas desconcertantes. Foi o responsável pelo gol antológico da Lusa em cima da Inter de Limeira, quando arrancou do meio campo, driblou vários adversários e marcou. Um autêntico gol de placa, de arrepiar qualquer amante do futebol.

Porém, em abril de 94 uma fatalidade tirou Dener de campo: o jogador sofreu um acidente automobilístico na região da Lagoa Rodrigo de Freitas e morreu quando seguia para treinar no Vasco da Gama. No dia anterior ele tinha acertado com os dirigentes da Portuguesa sua transferência do alvinegro para o Stuttgart, da Alemanha.

Dener tinha apenas 23 anos, era considerado um dos maiores talentos do futebol brasileiro e, sem dúvida, ainda tinha muito mais beleza para acrescentar ao esporte. Como seria se o carro em que Dener estava não tivesse se chocado contra aquela árvore? Talvez esse tivesse sido o primeiro nome em que a geração mais nova se inspiraria. Quantas alegrias mais ele poderia ter nos dado? O título de “fenômeno” já tem dono, e Ronaldo faz jus a ele, mas caberia como uma luva a Dener Augusto de Souza. Maldito dia aquele 19 de abril de 1994.

*O texto é meu e foi publicado originalmente no Blog do Meu Time de Futebol.

Curta: Barbosa

Milhares de pessoas sofreram com a triste final da Copa do Mundo de 1950 no Maracanã entre Brasil e Uruguai. Um desses muitos traumas foi retratado no curta Barbosa (nome do goleiro daquela seleção), um filme que conta a história de um garoto que ficou desolado com a derrota e anos mais tarde conseguiu voltar no tempo para tentar impedir o gol que tirou a taça do Brasil. O filme tem 13 minutos, é ganhador de diversos prêmios na categoria de curtas-metragens e é protagonizado por Antônio Fagundes.

Para assistir clique aqui ou acesse e http://www.portacurtas.com.br/ e procure por “Barbosa”.

O texto é meu, mas foi publicado originalmente no blog do Meu Time de Futebol.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Futebol e preconceito

* Esse texto eu fiz para o site www.mtdf.com.br, poréeem, decidi compartilhar por aqui com vocês, já que ando bem sem tempo se escrever um texto só pro Respirando Futebol. ;)

Na sociedade sempre existiram e sempre vão existir crenças, cores, sotaques, tipos físicos, opções sexuais e pessoas distintas. Mesmo que as diferenças sejam comuns, nem sempre são aceitas e geram diversas formas de preconceito no ambiente de trabalho, na escola, na faculdade e, claro, no esporte.

No caso do futebol sempre existiu discriminação de algum tipo. A famosa expressão “pó-de-arroz”, por exemplo, vem da época em que atletas negros, proibidos de jogar na maioria dos clubes, passavam pó no rosto para tentar uma chance no elenco.

Infelizmente, temos inúmeros exemplos de atos racistas nos dias atuais: em uma partida entre o Bayern Leverkussen e Real Madrid, a torcida espanhola imitava macacos todas vez que os brasileiros Juan e Roque Júnior tinham domínio da bola. Em outras ocasiões, torcedores jogaram bananas no campo em menção do xingamento racista mais popular entre os gringos: macaco. Eto’o, pelo Barcelona, foi uma dessas vítimas.

O caso com o jogador Grafite em pleno Morumbi foi um dos mais falados. Em uma partida entre São Paulo e Quilmes pela Libertadores de 2005, Desábato chamou o ex-são-paulino de “macaco”. O atacante registrou queixa na delegacia, o argentino foi preso algumas horas após o término do jogo, mas foi solto mediante o pagamento de fiança. Na Libertadores desse ano foi Máxi Lopez, atacante do Grêmio, quem demonstrou racismo: chamou o volante Elicarlos de “macaco” nos gramados do Mineirão em partida contra o Cruzeiro. O caso foi para a polícia, mas no depoimento o argentino afirmou “não saber nem o que significava a palavra macaco” e ficou impune.

Pode ser coincidência ou baixa demanda de interessados, mas existem pouquíssimos treinadores negros em atuação na primeira divisão do principal campeonato do país: o Brasileirão. Nas primeiras rodadas do segundo turno desse ano havia apenas um treinador negro dentre os 20 que comandam as equipes (Andrade, do Flamengo). Essa escassez também pode ser observada nas posições de dirigentes de futebol.

Além do preconceito racial, no início do esporte no país, integrantes das classes mais baixas da sociedade também eram proibidos de jogar bola. Alguém consegue imaginar um esporte de massa sendo praticado apenas por pessoas ricas? Com certeza muitos talentos seriam desperdiçados.

Apesar do preconceito ser disparado contra pessoas de diversas nacionalidades, ironicamente, o maior alvo são os jogadores nascidos no país do futebol. Roberto Carlos e outros brasileiros “exportados” para países da Europa já chegaram a ser insultados pela cor da pele e também pela origem.

Desde 2006 a Federação Paulista de Futebol promove a campanha “Racismo, aqui não!”, tentando afastar esse problema social dos gramados e das arquibancadas. Diversos atletas declaram apoio à iniciativa. Vale lembrar que a atual Constituição Federal do Brasil caracteriza como crime o racismo, a discriminação e a prática de atos de preconceito racial de qualquer natureza.

Ultimamente, em território brasileiro, é o são-paulino Richarlyson quem tem sofrido com discriminação. Um dirigente do Palmeiras fez insinuações colocando em prova sua masculinidade e pior ainda, a própria torcida tricolor tem atitudes preconceituosas com o volante/ zagueiro. O jogador – que nunca se declarou homossexual – não tem seu nome citado na saudação inicial das partidas e já foi até xingado pela nação são-paulina. Mesmo tendo um bom desempenho em campo, parte dos torcedores (principalmente os integrantes da maior torcida organizada do time) o julga homossexual e se recusa a prestar apoio a ele como fazem com os outros do elenco.

No futebol feminino, segundo pesquisa realizada pelo Instituto de Psicologia das USP, o preconceito é o maior causador de stress emocional entre as mulheres, fator totalmente prejudicial à saúde física e mental das atletas. Mesmo com a Seleção Brasileira tendo ficado em ótima colocação nas últimas Olimpíadas (posição superior inclusive à equipe masculina do Brasil), ainda existem os defensores da idéia que “mulher não tem capacidade de jogar futebol”. Além disso, esse “pé atrás” influi até na parte financeira das equipes femininas: é um setor onde a falta de investimento, patrocínio e incentivo é explícita.

Ainda envolvendo mulheres, quem não se lembra da Ana Paula de Oliveira? Se cometer erros é normal nas funções do trio de arbitragem de futebol (infelizmente), os da bandeirinha não foram aceitáveis. Por causa de alguns enganos foi afastada da função pela Confederação Brasileira de Futebol – e cá entre nós, se todos os árbitros que cometessem erros fossem afastados não teríamos mais quase ninguém pra apitar os jogos. Pra piorar a situação, logo depois do afastamento, Ana Paula posou nua e afastou ainda mais a possibilidade de bandeirar de novo.

É difícil acabar com um problema tão grande, principalmente se ele parece ganhar mais adeptos ao longo do tempo, contrariando totalmente a lógica da evolução intelectual e cultural humana. Por mais que numa partida de futebol alguns xingamentos e ofensas sejam “normais” vindos das arquibancadas ou entre os próprios atletas, o preconceito é crime. Esses casos não podem ser encarados como coisas normais e muito menos aceitáveis em uma sociedade democrática compostas por bilhões de pessoas que são diferentes umas das outras.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Gato no futebol

Texto retirado do site Olheiros e escrito por Maurício Vargas. Muito bom, vale a pena ler.
A oferta é tentadora, simples e aparentemente lícita. Por uma quantia pequena, de aproximadamente R$ 500 (que para a maioria das famílias às quais a proposta é feita, não é nada pequena e pode significar até mesmo um mês de salário), o empresário que acaba de se apresentar promete “ajeitar a documentação do menino” e colocá-lo em um clube grande. Tudo porque, segundo o engravatado olheiro com carregado sotaque da capital, o garoto “tem tudo para estourar, mas bem que podia ser uns dois anos mais novo”.

É assim, normalmente com a aquiescência dos pais, que não sabem direito com o que estão lidando, que nascem todos os dias novos gatos no futebol brasileiro. A esperança de sorte melhor para a família de baixa renda que pouco pode oferecer ao garoto em termos de futuro reside na habilidade dele com a bola nos pés, e na do procurador em esconder a falsificação. Mais do que uma tentativa de burlar a lei, o fenômeno do gato é a constatação de uma mazela social profunda, transformando o esporte em válvula de escape e promessa de redenção financeira.

Se a razão e a forma com que eles surgem é conhecida, por que então eles continuam existindo? Ou ainda, será que todos os casos foram detectados e todos os atletas em atividade estão com a ficha limpa? Por que, além do Brasil, é tão comum ouvirmos histórias de adulteração de idade na África? Nas próximas linhas, o Olheiros tenta desvendar os mistérios por trás da falsificação de documentos, relembra os principais casos e busca uma perspectiva para o futuro deste verdadeiro balaio de gatos.

Matando no berço
Os casos hoje são vários e fica difícil até puxar todos pela memória. Mas até a década de 80, os gatos não eram tão comuns, ao menos nos gramados brasileiros. O que aconteceu no início dos anos 90 foi a valorização do jogador de futebol, com as cifras que envolvem seus salários e multas rescisórias chegando a valores estratosféricos. Some-se a isso a maior concorrência na prospecção de garotos, que levou os clubes a procurarem talentos em territórios distantes pelo país, e a necessidade premente de revelar jovens mais cedo, graças ao aumento das transferências para o exterior. Todos estes fatores, temperados pela ganância dos “descobridores de talentos” e a conivência dos envolvidos no processo, faz com que seja difícil olhar hoje para uma promessa de destaque sem se perguntar se ela não está jogando numa categoria diferente da que deveria estar.

A situação já é tão comum que chega a ser encarada como “ossos do ofício” por quem vive no meio das categorias de base. O que acontece é que 95% dos casos descobertos, garantem, o são antes de o garoto virar profissional, reduzindo a quase zero o risco de um escândalo ou problemas judiciais. Nilson Gonçalves, gerente de futebol do Duque de Caxias e supervisor das categorias de base do Vasco durante muitos anos, conta algumas histórias curiosas.

“Certa vez, observamos um jogador do Americano e o levamos aos juniores do Vasco. Pelos documentos, ele teria 19 anos. Ao investigarmos no cartório, tudo batia. Mas a intuição me levou a pesquisar a maternidade onde ele nasceu. Foi lá que constatamos que ele realmente havia nascido dois anos antes”, lembra.Um dos episódios mais conhecidos por quem lida com o problema é o dos garotos de Marabá, cidade paraense distante 485 quilômetros da capital Belém. Um empresário que usava o nome da localidade como apelido garimpava garotos no interior do estado e colocava-os nas categorias sub-13 e sub-15 de times grandes de São Paulo, como Corinthians e Santos.

Durante uma edição da Copa Brasil Sub-15, realizada anualmente em Londrina, chamou a atenção o fato de que oito meninos do Corinthians eram nascidos na cidade. Depois, durante o Paulista da categoria, vários pais de atletas de outros clubes denunciaram a irregularidade à Federação Paulista de Futebol, que investigou e constatou a adulteração dos documentos. São apenas dois exemplos do que acontece no cotidiano dos clubes. O problema é quando a farsa não é descoberta antes da profissionalização e vem à tona só mais tarde.

O caso Sandro Hiroshi
É inevitável falar de gatos sem citar o atacante de ascendência japonesa que despontou no São Paulo após ser revelado pelo Rio Branco de Americana. O caso Sandro Hiroshi, por seus desdobramentos, é considerado o mais grave episódio de idade falsa do futebol brasileiro e, talvez, do mundo. Graças a ele, a CBF escapou por pouco de sofrer uma sanção da FIFA e teve de abrir mão da organização do Campeonato Brasileiro de 2000. O lado bom, se é que existe, é que foi possivelmente a partir daí que a estrutura foi reformulada para a implantação dos pontos corridos em 2003.

Natural de Araguaína, Hiroshi começou a carreira no Tocantinópolis e logo foi comprado pelo Rio Branco. Destacou-se no Paulista de 1999 e foi contratado pelo São Paulo, para substituir Dodô. No meio do Brasileiro, Botafogo e Internacional, que lutavam contra o rebaixamento, entraram na Justiça Desportiva pedindo os pontos das partidas contra o tricolor, em que o atacante havia atuado. Tudo porque a CBF, mediante um impasse entre os dois clubes anteriores do jogador, havia considerado seu passe “bloqueado”.

O que pouca gente se lembra, entretanto, é que a posterior ação na Justiça Comum do Gama, que seria prejudicado com toda a história, não tem nada a ver com a adulteração de idade. A falsificação dos documentos, aliás, só seria descoberta pela Folha de São Paulo meses depois, quando o jornal passou a investigar a verdadeira situação da inscrição do jogador na CBF. Hiroshi possuía, na verdade, dois anos a mais do que mostravam os documentos que utilizava, alterados ainda em 1994, nas categorias de base do Tocantinópolis, supostamente com autorização de seu pai.

Outros gatos famosos
De lá para cá, o fenômeno passou a chamar mais a atenção dos meios de comunicação, que começaram a veicular o que antes permanecia fora dos radares. Assim, tornaram-se mais comum histórias como a de Rodrigo Gral, gremista destaque do Sul-Americano Sub-20 de 1999, mas que mais tarde descobriu-se ter nascido em 1977, e não 1979, tendo então disputado o campeonato com 21 anos. Há também Anaílson, outro jogador revelado pelo Rio Branco que teve documentação adulterada. A reincidência, por mais que o clube tenha se provado inocente, custou ao Tigre um certo tempo de desconfiança quanto às suas revelações, culminando inclusive com a queda no número de negociações com grandes clubes, após o surgimento de nomes como Macedo, Flávio Conceição, Marcos Senna e Marcos Assunção.

Nilson Gonçalves, que também trabalhou na CBF, lembra ainda do atacante Emerson, do São Paulo, que em 2001 foi convocado para o Mundial Sub-20. Entretanto, a documentação levantou suspeitas, os médicos fizeram exames e uma pesquisa no cartório constatou que o jogador havia nascido quatro anos antes. O curioso é que o tricolor estava em processo de regularização de Emerson quando o Urawa Red Diamonds apareceu com uma proposta de US$ 1 milhão e, mesmo avisados de que ele tinha, na verdade, 23 anos, os japoneses mantiveram o interesse.

A vantagem de se atuar contra jogadores mais novos leva muitas vezes os destaques até a seleção brasileira. Cláudio, atacante que apareceu como promessa no Palmeiras em 2005, Michel Schmöller, revelação defensiva do Figueirense em 2007, e mais recentemente Leandro Lima, meia que despontou no São Caetano, foram flagrados, na maioria dos casos com dois anos de adulteração.

Foi também o caso de Carlos Alberto, hoje no Atlético-MG, que ainda no Figueirense admitiu ser mais velho do que mostrava sua identidade. Campeão mundial sub-20 em 2003, a revelação do volante chamou a atenção pelo tempo da falsificação (cinco anos de diferença) e pelo próprio jogador ter admitido a farsa. São muitas as histórias que poderiam ser citadas aqui, mas todas têm a mesma justificativa: a busca desesperada pela melhora das condições de vida.

Bichanos importados
A subespécie Felis silvestris catus, nome científico do gato, tem seus primeiros registros de domesticação por volta de 9.500 anos atrás, na África. Para muitos, não é coincidência que o continente seja o líder em casos de adulteração de idade no futebol. As condições existentes no Brasil que favorecem o aparecimento dos felinos são potencializadas nos países africanos, muito mais atingidos pela miséria e com menos recursos básicos como registro de nascimento e outros documentos à disposição da população. Além disso, as características fisiológicas únicas dos negros dificultam a identificação visual da idade, já que esta etnia demonstra menos o envelhecimento e disfarça melhor o desenvolvimento ósseo e muscular, aspectos utilizados na investigação de casos suspeitos.

No início da década, quase todo um grupo de jogadores nigerianos convocados para um período de treinamentos da seleção sub-20 foi posto sob suspeita de adulteração de idade. Eric Ejiofor, então zagueiro do Katsina United, confirmou que tinha mais de 20 anos. O escândalo foi maior porque, segundo os atletas, a federação sabia da idade de todos e, mesmo assim, decidiu convocá-los. O episódio por pouco não causou uma segunda suspensão da seleção nacional – em 1989, a FIFA baniu o país de competições de base após a confirmação de três gatos na seleção júnior.

Mas não é exclusividade das Super Águias vender gato por lebre. Seleções como Quênia, Marrocos, Camarões, Gana e Egito já tiveram seus casos, a ponto de todo jogador africano de destaque, do presente ou do passado, ser rotulado “gato” por parte da imprensa europeia. De Milla a Kanu, de Weah a Abedi Pelé, todas as lendas do futebol africano passaram a conviver com a sombra da dúvida, por mais que a mudança não dê mais tanto resultado nos profissionais. Os resultados das seleções nos últimos 15 anos, estes sim, devem permanecer sob suspeita ao longo da história.

Há casos em outros continentes, como no Asiático Sub-16 de 2008, quando oito seleções inscreveram jogadores com mais de 16 anos e foram retiradas da competição. Na Europa, o fato já não é tão comum, novamente graças às condições do meio: leis mais rígidas, condição financeira geral dos meninos melhor que a de brasileiros e africanos e fiscalização constante. Entretanto, o nome que talvez levante maior dúvida no mundo hoje é do prodígio estadunidense Freddy Adu. Nascido em Gana, foi um furacão através das categorias de base. Atualmente, já não rende tanto e tem seu nome constantemente ligado a prática felina.

O que fazer?
Mas afinal, se existem suspeitas, não há nada que se possa fazer. Sim, há. O MRI é um exame em que se submete o punho a uma tomografia, que analisa a idade óssea e a compara com a idade apresentada nos documentos. Apesar de eficaz, seu resultado não é 100% seguro. “Esse exame não pode dar uma certeza absoluta de que não haja já uma defasagem que a própria natureza se responsabilize. Este é um problema que ainda aflige as categorias de base e presenciei, até recentemente, resultados desastrosos nesse procedimento. Portanto, é um temor que ainda se tem”, afirmou o Doutor Turíbio Leite de Barros, fisiologista do São Paulo, em entrevista concedida ao Olheiros.

Para piorar, cada exame custa em torno de R$ 200, o que inviabiliza sua aplicação até mesmo nas categorias de base de grandes clubes, que podem contar com mais de 200 garotos. E este é apenas um dos fatores que favorecem a proliferação dos gatos, a saber: a falta de estrutura de clubes ou ligas amadoras funciona como “lavagem” dos documentos, que vão passando para frente como verdadeiros; a ganância de dirigentes, que conseguem valores mais altos por um atleta de 19 anos do que por um de 22; a desonestidade dos funcionários de maternidades, escolas e cartórios, que aceitam subornos; e a conivência da família, já que muitas vezes o jogador usa o documento do irmão mais novo.

Mas afinal, é possível acabar com os gatos? A própria CBF afirma ser tão difícil quanto acabar com a corrupção em outros meios sociais, como a política. Desde 2007, a Federação Paulista possui uma corregedoria para apurar denúncias de documentos falsos. Nos Mundiais de base, mesmo com os recursos financeiros disponíveis, a FIFA não faz o exame em todos os atletas – a seleção brasileira, por sua vez, tem feito em todos os convocados, prática copiada recentemente pela Federação Nigeriana.

Impedir o surgimento será praticamente impossível. Desvendar todos os casos, igualmente improvável. Não há como saber, ainda hoje, quantos atletas se destacaram e foram negociados graças à mudança de idade. É uma atitude que cobrará seu preço no futuro, quando a carreira tiver de ser encerrada (aparentemente) de maneira precoce. Mas que tem seu efeito prático já, quando este ou aquele clube ganha – ou deixa de ganhar – graças a tal prática. O caminho parece ser o da fiscalização reforçada, solução que soa simples demais em um país que, como se sabe, vive-se da impunidade. O ideal seria, certamente, corrigir os problemas sociais e estruturais, para não atacar eternamente a consequência sem se combater a causa, exatamente quando se enfrenta uma praga apenas com inseticida, pouco ligando para o que a trouxe ali.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Fim do primeiro turno do Brasileirão

Pessoal, o primeiro turno do super Brasileirão acabou e, antes que comece o segundo, quero deixar para vocês as expectativas, surpresas e decepções que tive ao longo dessas rodadas. Além disso, elegi também o "meu" craque do campeonato e escalei uma seleção dos que foram, para mim, os que mais se destacaram nessas partidas. O texto foi feito especialmente para o Pitacos da Bola, para o amigo blogueiro Rodrigo Gutuzo, mas é claro que eu vim dividir com vocês (ainda mais com essa ausência de posts aqui no RP). Vamos lá:

CRAQUE DO BRASILEIRÃO DO PRIMEIRO TURNO: Diego Souza. O que esse cara tá jogando não é brincadeira. Esteve bem estável nas primeiras rodadas e foi meio apagado no último jogo do Palmeiras, principalmente, mas é meu eleito como craque do primeiro turno e acredito que vai continuar dando show no segundo também.

SELEÇÃO DO PRIMEIRO TURNO
Goleiro: Marcos, do Palmeiras.
Zagueiros: André Dias e Miranda, do São Paulo.
Laterais: Vitor, do Goiás, e Júnior César, do São Paulo.
Volantes: Hernanes, do São Paulo, e Pierre, do Palmeiras.
Meias: Souza, do Grêmio, e Diego Souza, do Palmeiras.
Atacantes: Iarley, do Goiás, e Adriano, do Flamengo.
Técnico: Silas, do Avaí.

Chegamos na metade do Campeonato Brasileiro e tivemos algumas supresas boas e desapontamentos ao longo desses muitos jogos.

Uma das supresas boas fica por conta do recém-chegado à Série A, o Avaí, que tem feito uma boa seqüência de jogos (principalmente nesses últimas rodadas) e mostrou que não vai ser um time que briga pra não cair, mas sim pra disputar vaga na Sul-Americana e também Libertadores, por que não? Vão entrar no segundo turno no sexto lugar, são só duas poisções de distância do G4.

Porém, o Avaí e muitos outros vão ter que trabalhar duro pra conseguir pegar o lugar dos “fortões” que, além de bom elenco e treinadores, contam com o “peso da camisa”: Palmeiras, São Paulo, Internacional, Atlético Mineiro e, se voltar aos eixos logo, Corinthians. Acredito que desses cinco deve sair o campeão desse ano e os que ficarão com a vaga na Libertadores. E digo mais, acho que, novamente, o campeão não vai ter muitos pontos de distância do vice.

Contudo, o futebol é uma caixinha de supresas onde tudo pode acontecer. O Vitória pode voltar a jogar como fez em muitos jogos e chegar lá. Quem sabe, não é mesmo? Ou talvez o Grêmio acorde e vá “buscar” o título ou colocação no G4. Pode ser também, elenco para isso o Tricolor Gaúcho tem.

E o Barueri? “Recém-subido” e sempre na primeira página de classificação. A Série B fez bem pra clube paulista e para o catarinese... já o Santo André, se bobear volta pra segundona. Outro forte clube é o Goiás, acho que vai continuar “incomodando” muita gente e no mínimo conquista uma classificação para Sul Americana, bem como o Barueri.

Meu desapontamento fica para os clubes pernambucanos Náutico e Sport, e com os cariocas Botafogo e Fluminense. O Náutico começou bem o campeonato, alguns disseram até que se manteriam estáveis, mas há algum tempo não consegue sair da zona da degola. Mais frustrante é o caso do Sport, que disputou Libertadores e quase eliminou o Palmeiras e teve ótimas atuações no torneio e acabou o primeiro turno na lanterna.

O problema do Fluminense é um dos maiores mistérios do Brasileirão. Não teve técnico que deu jeito no time e nem a volta de Renato Gaúcho tem funcionado. Será que depois do Vasco é o Flu quem vai fazer visita à segundona? O Botafogo tá ali... quase na zona e também não mostrou sua força. O que tá acontecendo com o futebol do Rio, hein?

Não citei o Flamengo como uma decepção, mas confesso que pensei que seria mais competitivo. Terminou no meio da tabela e fechou o segundo turno levando goleada do Grêmio. Tudo bem, perdeu jogadores importantes, como Ibson nas primeiras rodadas, mas ainda acho que poderia ser mais do que é. Se não acordar também o Flamengo pode nem terminar o Brasileiro na primeira página.

Outra decepção foi o Cruzeiro que em diversas rodadas amargou as últimas posições e ainda não mostrou sua força no nacional. Será que a perda do título da Libertadores foi tão traumática? Já está na hora de acordar se não quiser dar susto na torcida celeste.

Posso estar certa ou totalmente errada, mas fato é que o segundo turno vai começar e muita água vai rolar. Alguns saem, outros machucam, técnicos caem... é futebol... nunca é totalmente previsível.

Eu já apontei meus favoritos e ao final do Brasileiro vou ler esse texto novamente e ver o que aconteceu... como já disse, o futebol é uma caixinha de supresas e tudo pode acontecer, só saberemos no final do ano e mal posso esperar pra ver como termina mais esse Brasileirão! Como diz um narrador famoso: Haja coração, amigo.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Motivo da ausência: EMPREGO! :)


Pessoal, só pra justificar a ausência: arrumei um emprego! :) Muitos de vocês (que são colegas, amigos e que me acompanham no Twitter) sabem do drama que foi pra sair da fila do desemprego, da qual fiz parte por longos e tediosos sete meses.

Com essa atividade nova e necessária não tenho mais tempo pro Respirando Futebol, mas assim que der uma brecha eu atualizo meu blog querido.

Detalhe que o trabalho é envolvido com futebol... em breve eu passo o site pra vocês e conto um pouco sobre o projeto que tenho CERTEZA que muitos vão curtir e aderir.

É isso gente, vocês que trabalham devem ter idéia de como é manter um blog quando se tem muuuitas coisas pra fazer, né? Primeiro a obrigação, depois o lazer! Não desistam dele, please. E tô devendo visitas em blogs de recém-chegados e naqueles que já são parte da lista de favoritos.

Obrigada pela paciência, pelo carinho da maioria e um beijo pra todos.